O fluxo de capital secou mundialmente”, explica economista ao analisar enfrentamento da crise

O fluxo de capital secou mundialmente”, explica economista ao analisar enfrentamento da crise

Carlos Alberto Primo Braga tem experiência com mercado internacional e abordou o cenário macroeconômico global frente ao coronavírus. Encontro online reuniu presidentes e dirigentes do Programa Parceiros para a Excelência (PAEX), oferecido pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a Fundação Fritz Müller (FFM)

 

A fala do professor Carlos Aberto Primo Braga trouxe um panorama bastante claro de como o mundo está vivendo essa fase de crise instaurada pela Covid-19, como o Brasil está inserido nesse contexto e quais as expectativas para o mercado interno retomar a economia no pós-pandemia. “A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertava para o risco de uma pandemia mais cedo ou mais tarde. Ela veio e mesmo assim o mundo não estava preparado para o impacto das consequências que ela trouxe. A gente vive um grau de incertezas muito significativo, um choque sem precedentes tanto para a economia quanto para as políticas governamentais”, explanou. A análise foi feita durante a reunião online com presidentes de empresas e dirigentes do Programa Parceiros Para a Excelência (PAEX) de Santa Catarina. O programa desenvolvido pela Fundação Dom Cabral é aplicado pela Fundação Fritz Müller no estado.

 

Os dados trazidos pelo economista confirmam o cenário preocupante. A recessão causada pelo coronavírus se traduz na economia mundial na ordem de 3% - só o comércio internacional aponta uma retraída entre 13% e 33%. O Brasil deve ter uma contração de 5,3%. “Tendemos a ter uma retomada econômica mais lenta do que rápida. Como os cenários são incertos, pode ser que a situação avance com uma velocidade sutilmente maior do que as previsões apontam, mas não será nada extraordinário. Isso porque o fluxo de capital secou mundialmente. Obviamente as empresas com maior liquidez estão mais bem preparadas e devem ter mais sucesso nessa retomada. No entanto vai ser preciso um intenso trabalho de inovação”, explicou Carlos.

 

Outro apontamento foi o das curvas de crescimento através de letras: ‘V’ para cenários otimistas, quando a economia consegue avanços acelerados; ‘U’ quando a economia atinge esse avanço de forma gradativa; ‘L’ para aqueles cenários mais afetados; e ‘W’ quando a economia deve seguir mais preparada para os impactos dos novos surtos da doença – porque tudo indica que eles vão acontecer. “Já foi descrito pela medicina que esse vírus deve ter ciclos, e portanto, surtos. Levando isso em consideração, arrisco prever para o Brasil um crescimento em W: com declínios e picos, conforme o comportamento do vírus. O lado positivo é que existe uma tendência a estarmos mais preparados, de maneira geral, para enfrentar os obstáculos. Mas há um risco: nessa linha em W as crises de liquidez podem se tornar crises de solvência se as linhas de crédito não forem trabalhadas. Já temos muitas empresas sofrendo com isso”, detalhou. 

 

Ações para o cenário pós-crise 

Nesse sentido, ele destaca a importância da análise de riscos melhor estruturada e aponta a reorganização das cadeias de produção como alguns dos gatilhos de ação no pós-crise. Outro ponto interessante destacado por Carlos foi a crise de relacionamento entre EUA e China, acirrada pelo Covid-19 na disputa por uma hegemonia tecnológica que se reflete na economia mundial. Segundo ele, o Brasil está mais próximo dos EUA nas questões governamentais e de políticas públicas, mas tem a China como o maior parceiro comercial hoje em dia. “Por conta dessa realidade vamos ver uma série de ondas no processo de retomada econômica. O segredo estará na administração desses processos. Em nível macro, em 2021, a reforma tributária brasileira se faz urgente para poder haver de fato uma retomada econômica eficiente”, analisa.

 

Carlos Alberto Primo Braga é Ph.D. em Economia pela University of Illinois at Urbana Champaign e atua nas áreas de economia internacional, cenários macroeconômicos, estratégia empresarial e organismos internacionais. Além disso, é professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC), eleita uma das melhores escolas de negócios do mundo e parceira da Fundação Fritz Müller em diversas programações voltadas para a formação profissional. 

Assista o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=A2bxGbpQoiU&t=12s

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