- 29 SET 2026
O que os candidatos ao Governo de Santa Catarina propõem para fortalecer o ambiente de negócios?
Santa Catarina tem entre seus principais desafios manter e ampliar a competitividade de sua economia, criando condições para que empresas possam investir, crescer e gerar empregos em diferentes regiões do estado. Infraestrutura, ambiente regulatório, qualificação profissional, inovação, segurança e eficiência da gestão pública estão entre os temas que impactam diretamente as decisões de quem empreende e investe.
Para contribuir com o debate sobre o futuro econômico de Santa Catarina, a Fritz Müller convidou os candidatos ao governo do estado a apresentarem suas propostas para o setor empresarial. A pergunta enviada a todos foi: "O que o senhor pretende fazer para tornar Santa Catarina ainda mais competitiva para quem quer empreender, investir e gerar empregos?"
Seis candidatos retornaram com as respostas, reunidas neste conteúdo, que apresenta as diferentes visões sobre os caminhos para fortalecer o ambiente de negócios e a competitividade catarinense. A iniciativa busca oferecer informações para que empresários, empreendedores e demais lideranças possam conhecer as propostas dos candidatos para a economia do estado e realizar sua própria análise sobre os temas que consideram relevantes para o futuro de Santa Catarina.
As respostas estão abaixo na íntegra e se apresentam pela ordem alfabética dos nomes dos candidatos.
Gelson Merísio (PSB)
"Santa Catarina já é um Estado competitivo, resultado de uma política de incentivos fiscais construída ao longo de muitos anos. O que precisamos agora é revisar esses incentivos e colocá-los dentro de um projeto de Estado. Há regiões que já não precisam dos mesmos estímulos e outras, como Canoinhas, a Serra e o Extremo Oeste, que precisam de tratamento tributário diferenciado. Se não fizermos isso, a tendência é que uma empresa que queira ampliar ou se instalar em Santa Catarina venha para o corredor da BR-101, aumentando ainda mais a concentração econômica. Precisamos descentralizar os investimentos e criar oportunidades em todas as regiões. E competitividade não é só imposto. É infraestrutura, segurança, educação e mão de obra qualificada. Vamos aproximar o ensino técnico das necessidades das empresas, aumentando a produtividade, os salários e as oportunidades de emprego."
João Rodrigues (PSD)
"A Reforma Tributária encerra, a partir de 2027, a era dos incentivos fiscais que ajudaram a construir a economia catarinense. Esse novo cenário exige de nós uma estratégia clara: competir pela produtividade. Santa Catarina precisa ser o lugar onde produzir custa menos e rende mais. Por isso, vamos reduzir o custo logístico com a duplicação das BRs 282, 280 e 470, com até R$ 4 bilhões do Estado abatidos da dívida com a União, e a manutenção permanente das rodovias e dos acessos aos portos. Vamos tornar o Ensino Médio profissionalizante, alinhado à vocação de cada região, e fortalecer os polos de tecnologia. Com austeridade nos gastos públicos, destinação de 15% da receita (R$ 44 bilhões em 4 anos) para investimento, um Estado digital, desburocratizado e crédito pelo Badesc e BRDE, faremos de SC um parceiro de quem empreende."
Jorginho Mello (PL)
"Estamos trabalhando para consolidar Santa Catarina cada vez mais como o estado do emprego, do trabalho e da educação. A conquista do título de Estado Mais Competitivo do Brasil, superando São Paulo após 14 anos, demonstra que estamos no caminho certo. Agora, nosso desafio é manter essa posição e avançar ainda mais. Seguiremos ao lado de quem empreende, com menos burocracia, mais segurança e um Estado que facilite a vida de quem produz, investe e gera empregos. Ao mesmo tempo, vamos ampliar a qualificação profissional, fortalecendo iniciativas como o CaTec, com ensino técnico integrado à formação dos nossos jovens, e o Universidade Gratuita, preparando cada vez mais catarinenses para as oportunidades e demandas do mercado de trabalho."
Marcelo Brigadeiro (Missão)
"Santa Catarina tem uma vocação empreendedora forte. Nosso governo vai liberar essa força com menos burocracia, menor carga tributária e segurança jurídica. Vamos simplificar a abertura e a operação de empresas, eliminar exigências desnecessárias e ampliar o Juro Zero para pequenos empreendedores. Investiremos em rodovias, ferrovias, portos, energia e saneamento, com concessões e PPPs para acelerar as entregas. No agronegócio, apoiaremos a inovação, a qualificação e o escoamento da produção, fortalecendo quem gera riqueza no campo. Também aproximaremos escolas técnicas, universidades e empresas, retomaremos o Geração TEC e incentivaremos parques tecnológicos. O papel do estado será facilitar, não atrapalhar: atrair investimentos, elevar a produtividade e gerar empregos em todas as regiões."
Marcus Sodré (PSTU)
"É hipocrisia falar em desenvolvimento mantendo o país preso a um ciclo de dominação e mantendo uma estrutura produtiva quase inteiramente fora das principais cadeias de valor. Esses setores concentram tecnologia, escala e o controle efetivo das cadeias globais de produção – indústria digital, semicondutores, eletroeletrônicos de ponta, inteligência artificial, biotecnologia e novos materiais. Importa-se praticamente tudo aquilo que hoje está na fronteira da produção capitalista, além das máquinas, equipamentos e insumos estratégicos necessários até mesmo às indústrias de baixa e média tecnologia. Exportamos produtos primários, mineração e agropecuária, de baixo valor agregado. É preciso investir em tecnologia e em novas matrizes energéticas menos poluentes e conectadas com a natureza."
Ralf Zimmer (PRD)
"Para tornar Santa Catarina mais competitiva é preciso uma reforma administrativa que tire o modelo de estado do século passado e o recoloque neste. Onde há três edifícios, que trazem a reboque custos de manutenção, limpeza e segurança, deve ter um. Mais bytes. Menos tijolos. Modelo misto de atendimento. Tele presencial e presencial físico. Com relatórios periódicos de produtividade a ser lançado para a população avaliar. Fazer mais com menos. Como o fiz quando fui Defensor Público Geral do Estado. Com essa economia dá para fundamentar e fazer a baixa de tributos. Investir também na segurança é um imperativo incontestável. E a cereja do bolo: infraestrutura. Em suma, estado enxuto. Com menos gastos, segurança e infraestrutura gerará melhores condições ao empreendedorismo."